Vale da Candeeira
um dos mais remotos e imponentes vales de origem glaciária da Serra da Estrela
Vale da Candeeira
O Último (e Intocado) Grande Espaço da Serra da Estrela
O Vale da Candeeira, encravado entre o Cântaro Gordo e o vasto Planalto Central da Serra da Estrela, despenha-se discretamente sobre o bem mais conhecido Vale Glaciário do Zêzere. Sem acesso por estrada (nem sequer linha de vista desde o asfalto), vai-se mantendo como um dos últimos redutos verdadeiramente selvagens da nossa maior montanha.
Para chegar ao Vale da Candeeira, existem vários trilhos possíveis — mas todos eles apenas podem ser percorridos a pé. O acesso mais comum é feito desde o Covão d’Ametade, embora também existam ligações pedestres a partir do Vale do Zêzere, da Fonte dos Perus, da Lagoa Comprida ou da Nave da Mestra.
Os trilhos que percorrem ou dão acesso ao Vale da Candeeira pertencem (quase todos) à rede de percursos pedestres Manteigas Trilhos Verdes, em particular à pequena rota PR5 MTG – Rota do Maciço Central. No entanto, a sinalização pintada (marcas amarelas e vermelhas) nem sempre está visível — ou sequer presente — sendo altamente recomendado o uso de GPS, exceto para quem já conhece muito bem a Serra.
Para além destas marcações “oficiais”, quase sempre existem mariolas (pequenos montes de pedras — ou pedras soltas — estrategicamente colocadas), geralmente visíveis a grande distância e que ajudam a manter o rumo certo. Uma vez treinado o olhar, as mariolas revelam-se uma forma de orientação muito mais eficaz do que as marcas pintadas — são mais visíveis, duradouras, económicas e perfeitamente integradas na paisagem.
Vê o track no Ride With GPS
Uma Verdadeira Rota de Montanha
Para explorar o Vale da Candeeira, podemos desenhar o nosso próprio percurso através das várias veredas existentes ou seguir a rota circular proposta pela PR5 – Rota do Maciço Central, integrada nos Trilhos Verdes de Manteigas.
No entanto, a rota que aqui proponho é ligeiramente diferente do traçado “oficial” da PR5, com um traçado alternativo para descer ao Vale da Candeeira, por um trajecto bem mais interessante e seguro. Mantém o espírito da rota circular, mas com um toque mais aventureiro e imersivo — ideal para quem já está habituado a caminhar na montanha.
Independentemente da rota escolhida, chegar ao Vale da Candeeira é sempre uma caminhada de montanha exigente (com elevado grau de dificuldade física e técnica) e apenas recomendo a quem tenha experiência prévia em montanha ou esteja acompanhado por alguém com esse conhecimento. Não é necessário equipamento técnico como cordas, mas há vários troços que obrigam ao uso das mãos para trepar ou destrepar. Em condições invernais, o grau de dificuldade aumenta consideravelmente.
Todo o percurso decorre acima dos 1400 metros de altitude, em terreno onde a orientação pode ser extremamente difícil quando a visibilidade é reduzida. Neve e gelo são comuns no Inverno, e durante o degelo ou após períodos chuvosos, a travessia da ribeira da Candeeira pode tornar-se perigosa ou mesmo impossível.
O percurso começa no Covão d’Ametade e pode ser feito nos dois sentidos. No sentido dos ponteiros do relógio, a subida ao Cântaro Gordo é feita logo de início — o que pode ser uma vantagem ou não, dependendo da disposição de quem caminha. Se optarmos pelo sentido contrário (o descrito neste artigo), temos o privilégio de descobrir o Vale da Candeeira desde baixo, fazer uma pausa no Fragão do Poio dos Cães e depois seguir rumo ao Cântaro Gordo, com a possibilidade de subir ao seu cume pela espetacular aresta Oeste — uma das mais impressionantes da Serra da Estrela.
Os 9,6 km desta rota são quase uma curiosidade estatística, pois esta travessia de montanha mede-se em tempo, esforço e emoções. Poucas vezes caminhamos em terreno plano ou aberto, e entre subidas, descidas e momentos de contemplação, devemos contar com pelo menos 6 a 8 horas de jornada.
Seja no Verão ou no Inverno, esta é uma verdadeira rota de montanha. Para além de experiência e boa forma física, é essencial estar bem preparado para qualquer eventualidade. No final do artigo, partilhamos algumas dicas sobre equipamento essencial e o que nunca deve faltar na mochila.
Fraga da Albergaria
A começar no Covão d’Ametade e seguindo no sentido contrário aos ponteiros do relógio (o sentido que prefiro e recomendo), a irregularidade natural do trilho dá logo a entender que esta rota não é para todos. Trepar e destrepar calhaus, olhar bem onde pomos os pés, e atenção redobrada para não escorregar nas lajes de granito — especialmente se estiverem molhadas ou cobertas de gelo.
A orientação nesta fase inicial ainda não é especialmente complicada, mas mesmo assim, basta um momento de distração para facilmente sairmos do trilho.
No topo da Fraga da Albergaria é tempo de fazer uma pausa. Não porque já tenhamos andado muito, mas porque a vista dali para o Covão d’Ametade – encravado entre os majestosos Cântaros – é simplesmente fantástica. Abaixo de nós, o Covão da Albergaria, que constitui o terceiro “ressalto” de origem glaciária do Vale do Zêzere (o primeiro é o Covão Cimeiro e o segundo o próprio Covão d’Ametade).
Vale das Candeeirinhas
O trilho continua a contornar a encosta e rapidamente nos leva ao Vale das Candeeirinhas, uma pequena depressão modelada pelo movimento dos glaciares que escorregavam por estas encostas até há cerca de 14 000 anos. No auge da última glaciação, há aproximadamente 30 000 anos, estima-se que o Planalto Superior da Serra da Estrela estivesse coberto por uma espessa camada de gelo com cerca de 90 metros, que escorria lentamente em várias direções, alimentando os vales glaciários descendentes. Segundo as modelações feitas, apenas os topos dos Cântaros Magro e Gordo emergiam acima dessa massa branca.
O trilho segue em subida gradual, sempre a contornar a encosta. A partir do Vale das Candeeirinhas, a vista para o Cântaro Gordo é soberba — e bem diferente da perspetiva habitual desde o Covão d’Ametade. Aqui, já conseguimos perceber melhor a real imponência do mais “gordo” dos Cântaros.
Mais à frente, encontramos um cruzamento sinalizado que indica o trilho para a Lagoa do Cântaro e será por aí que agora vamos seguir. Neste ponto vamos deixar de seguir temporariamente a rota sinalizada, pois o percurso oficial implica algumas passagens mais expostas (particularmente perigosas quando há gelo ou rocha molhada) e depois cruzar a ribeira da Candeeira num local onde não há passagem… Actualmente a maioria dos caminhantes segue pela rota sinalizada oficialmente, mas ainda assim este traçado alternativo é bem melhor.
Inicialmente o trilho terá partes pouco visíveis, devido ao pouco uso e crescimento da vegetação. O GPS será aqui fundamental para indicar a direcção a seguir, mas será pela atenta observação que encontraremos o melhor caminho. Para além do acesso alternativo ao Vale da Candeeira, esta primeira parte é também comum com o trilho de acesso à Lagoa do Cântaro, uma rota fantástica mas cada vez menos percorrida por ter “ficado fora” da rede de percursos de Manteigas (Green Tracks).
Vale da Candeeira
Contornada a cumeada, avistamos pela primeira vez o magnífico Vale da Candeeira! A longa descida faz-se agora em zigzag, quase sempre sem grande dificuldade. Este trilho, antigo e há muito usado por pastores e montanhistas, havia sido perdido para a vegetação até há bem pouco tempo. Nos últimos anos, tem vindo a ser recuperado por um amigo montanhista que, quase sempre sozinho e à conta de muita vontade e preserverança, se tem dedicado fazer o trabalho que as autoridades “competentes” não querem, não conseguem ou não sabem fazer. Muito obrigado por toda a tua dedicação, Siggi!
Chegados ao fundo do vale, o trilho vem desembocar bem perto da Ponte Bolota, uma pequena ponte que permite atravessar a ribeira da Candeeira durante praticamente todo o ano. A Ponte Bolota foi uma iniciativa da ASE – Associação dos Amigos da Serra da Estrela, tendo sido carregada peça a peça por montanhistas e montada no local durante o Nevestrela de 2007. Sem esta ponte, as travessias da ribeira seriam sem dúvida bastante mais complicadas durante o Inverno.
A partir daqui estamos já estamos de regresso à rota “oficial”, apesar das marcações sinalizadas continuarem a ser bastante escassas. Seguindo para montante (e sem atravessar a ponte), o caminho faz-se agora ao longo do cervunal, praticamente sem trilho visível e a obrigar muita atenção a onde colocamos os pés. Aqui no fundo do vale, sempre que a ribeira transborda do seu leito por excesso de caudal, leva tudo na frente e vai modificando as próprias margens, por isso aqui os trilhos acabam por ser “dinâmicos” e obrigam a navegar à vista. É olhar para o GPS, tentar ver alguma mariola e seguir mais ou menos por ali.
E também “é mais ou menos por ali” que iremos voltar a atravessar a ribeira da Candeeira por 2 ou 3 vezes, sem trilho muito definido e procurando apontar à próxima mariola. Aqui a ribeira tem pouca profundidade ou até nem tem água (durante o verão) e é preciso passar a salto por entre os calhaus rolados.
Lagoa do Pachão
Depois de todas as travessias da ribeira, o trilho passa a seguir definitivamente pela margem esquerda (ou pelo lado direito de quem sobe, claro). A subida vai empinando, empinando, até que se transforma numa trepada quase vertical onde teremos muitas vezes que usar as mãos para ultrapassar os obstáculos. Nunca existem zonas realmente complicadas, mas para algumas pessoas poderá ser uma dificuldade significativa.
E no topo desta trepada, chegamos à Lagoa do Pachão (ou do Peixão ou da Paixão, mas isso é outra história). Encimada pelo imponente Fragão do Poio dos Cães, a paisagem é verdadeiramente monumental. Já subi este trilho largas dezenas de vezes e continuo a sentir aquele arrepio bom sempre que chego à lagoa.
Quer pelo cenário, quer para repor o fôlego da trepada, é obrigatório fazer uma pausa. No Verão, é também o spot perfeito para dar um mergulho ou (pelo menos) meter os pés de molho.
Fragão do Poio dos Cães
Pausa feita, é hora de voltar ao caminho. Ainda há muito que subir (e que descer). O trilho contorna agora o imponente maciço do Poios dos Cães pela direita. A orientação é sempre mais ou menos fácil, pois o trilho aqui até está bem dotado de mariolas.
A rota “oficial” do PR5 MTG (a que está assinalada com as tais marcações pintadas a amarelo e vermelho) continua em subida até ao “Planalto da Expedição”, onde a grande “Expedição Scientífica da Sociedade de Geographia de Lisboa” terá montado campo base em 1881, mas para mim o desvio até ao topo do Fragão do Poio dos Cães é obrigatório. No mapa apenas assinalo o trilho oficial, pois para chegar ao Poio dos Cães não existe trilho visível e a navegação é sempre à vista e a trepar calhau.
Do topo do Poio dos Cães temos toda a Candeeira a nossos pés, desde a Lagoa do Pachão que está quase ali à distância de um mergulho, até à Ponte Bolota que mal se distingue lá no meio do grande vale. Façam um minuto de silêncio e imaginem todos os vossos passos até aqui.
Imaginem todo aquele vale coberto de neve e gelo a escorregar devagarinho. Imaginem que, alguns milhares de anos depois, a neve terá derretido e dado lugar a densos bosques de Bétulas, Carvalhos, Tramazeiras e Teixos. Imaginem rebanhos de Cabras selvagens, Rebecos e Muflões a trepar penedos para escapar a alcateias de Lobos. Imaginem as primeiras vezes que as comunidades semi-nómadas do neolítico, ainda a descobrir como funcionava a pastorícia, aqui chegaram com os seus rebanhos para aproveitar os ricos pastos primaveris. Imaginem os rebanhos de milhares de ovelhas e cabras que aqui passaram a chegar em transumância todas as primaveras. Imaginem os carvoeiros que aqui vinham transformar as grossas raízes das Urzes em pilhas de carvão, que depois carregavam em mulas para as aldeias dos vales mais abaixo. Imaginem tudo o que este vale já aqui viu passar.
Hoje em dia os rebanhos da Serra já são poucos e há vários anos que já aqui não encontro o último pastor que aqui vinha. Fica pelo Vale do Zêzere, que as pernas já não devem dar para aqui chegar todos os dias. E, há falta de outros herbívoros, dos que cá andavam antes de terem sido exterminados pelo “progresso”, vai o mato ganhando espaço aos cervunais e aos nossos trilhos.
E, já agora que falamos em carvoeiros, terá sido pelas inúmeras pilhas de madeira que ardiam lentamente dia e noite, que este vale terá passado a ser conhecido por “a Candeeira”, um vale pontuado de candeios a alumiar a noite escura da montanha.
Lagoas, Cântaros e Covões
Seguindo caminho, agora pela orla do planalto, o trilho leva-nos entre cervunais e um mar de granito, em direcção às Salgadeiras.
No Covão da Clareza a lagoa já não tem a grandeza de outrora e encontra-se praticamente colmatada por sedimentos, que entretanto se converteram numa extensa turfeira húmida. As turfeiras húmidas são habitats importantíssimos para a biodiversidade da Serra da Estrela, fundamentais para ínumeras espécies de anfíbios, insectos e plantas. Mantenham-se no trilho e evitem deixar marcas da vossa passagem.
As Salgadeiras são outro spot que convida a uma pausa. No períodos mais frios do Inverno costumam congelar à superfície e, às vezes, nem damos por elas debaixo da neve. No Verão é difícil resistir a mais um mergulho ou pelo menos a refrescar os pés. O nome destas lagoas desperta frequentemente curiosidade e há várias tentativas de explicação, mas uma coisa é certa – a água não é salgada!
Ao virar a cumeada, surgem-nos em todo o seu esplendor o magnífico Covão Cimeiro e o imponente Cântaro Magro. O Covão Cimeiro, berço do Zêzere, é um enorme anfiteatro natural (é o maior circo glaciário da Serra da Estrela). Era também aqui no Covão Cimeiro que se iniciava o extenso glaciar, que ao longo de milénios foi moldando o Vale do Zêzere.
De forma diferente dos rios, os glaciares escavam os vales de forma arredondada e criando este enormes ressaltos que muitas vezes vieram dar origem a lagoas. E é por isso que o Vale do Zêzere, com perfil em U, talvegue em degraus e na cabeceira este magnífico anfiteatro, é uma das grandes maravilhas geomorfológicas de Portugal.
Cântaro Gordo
Mas, esquecendo um pouco a paisagem à nossa direita, é no que temos em frente que precisamos nos concentrar: o Cântaro Gordo. O trilho “oficial” da Rota do Maciço Central não passa pelo cume do Cântaro Gordo, contornando a cumeada pelo seu lado direito. No entanto, eu (quase sempre) prefiro subir pela magnífica aresta Oeste para ir picar o ponto lá acima ao cume e descer pelo trilho mais à frente.
O trilho que contorna o Cântaro, o tal “oficial”, tem algumas deficiências de sinalização e atravessa uma zona de blocos de grandes dimensões, que é preciso navegar com alguma cautela. Alguns dos blocos, apesar das grandes dimensões, oscilam quando pisados e não convém dar uma de “127 Horas” e ficar com um braço entalado. Além disso, entre os blocos, existem grandes espaços vazios e onde uma queda poderia ter consequências menos agradáveis. Cautela, manter o foco, não perder o rumo e em pouco tempo chegam ao outro lado.
Se a opção for trepar ao cume do Cântaro Gordo, há que sair do trilho ao chegar perto da aresta. Não existe caminho assinalado e nem é muito perceptível por onde devemos seguir: o objectivo é chegar à aresta e é para aí que devemos apontar. É preciso trepar uma zona de grandes blocos depositados na vertente do Cântaro, contornar um pequeno esporão rochoso e chegamos à aresta. A aresta é bastante “arejada” e, apesar de não ser uma trepada difícil, não é recomendada a quem tenha medo de alturas ou pouca experiência em actividades de montanha. Vejam as fotos para ter uma ideia de por onde seguir.
A descida para o Covão Cimeiro
A descida do Cântaro Gordo em direcção ao Covão Cimeiro é bastante íngreme e traiçoeira. O trilho é por vezes pouco definido, mas existem mariolas e marcações pintadas suficientes para nos manter na direcção certa. O risco de uma queda para o vazio é reduzido, mas facilmente uma escorregadela aqui pode dar origem a um braço partido, pois para além de íngreme o piso desagrega-se facilmente em pedras soltas e areão. Cuidados redobrados e atenção onde colocamos os pés.
A parte mais complicada da descida é o troço superior, até ao colo que dá acesso à Lagoa do Cântaro. A partir daqui o piso é bastante mais estável, apesar de continuarem a existir bastantes obstáculos a destrepar.
Na montanha, a maior parte dos acidentes acontecem na descida. Em parte porque que estamos mais cansados, mas principalmente porque nos parece que o mais difícil já está feito e isso leva-nos a “levantar a guarda”. Com a experiência vamos aprendendo que é mesmo preciso manter o foco até lá abaixo, mas mesmo assim é fácil já ir com a cabeça noutro lado.
Nesta altura, também já o dia irá longo e iremos caminhar à sombra, ao lusco-fusco ou mesmo já depois do sol posto. Numa caminhada longa como esta, é importante irmos sempre prevenidos para qualquer derrapagem na previsão horária e por isso é fundamental trazer connosco uma lanterna ou frontal (e não, a luz do telemóvel não serve!!) e roupa extra para fazer face à descida das temperaturas.
Regresso ao Covão d’Ametade
Se o dia não for já demasiado longo, o Covão Cimeiro convida a uma nova pausa. Visto de cima já dava para perceber a sua imponência, mas cá em baixo é que nos sentimos mesmo pequeninos perante tal imensidão.
Já falta agora muito pouco para regressar ao Covão d’Ametade, onde começáramos esta aventura, mas o trilho ainda tem alguns desafios. Apesar de o trilho que liga estes dois covões ser bastante percorrido, a sua manutenção é reduzida e o trilho praticamente só se mantem aberto pelo uso. Infelizmente em Portugal valoriza-se muito pouco a manutenção especializada dos trilhos de natureza, apesar dos milhões de euros que disparatadamente têm sido gastos em passadiços.
Mas voltando ao nosso trilho, basta seguir as mariolas e as marcações pintadas. Nalguns sítios poderá parecer que existe mais do que uma opção e por isso recorram ao GPS para ajudar a perceber qual o melhor caminho. Ainda haverá um obstáculo ou outro que seja necessário destrepar, mas já não resta nada de complicado. E pronto, estamos de volta ao Covão d’Ametade!
Dicas úteis para explorar esta rota
Como chegar ao Covão d’Ametade
Não existem transportes coletivos regulares até ao Covão d’Ametade, mas entretanto a Covilhã criou uma linha regular de autocarros a subir e descer a Serra. O autocarro não vai ao Covão d’Ametade, mas creio que não será complicado pedir ao motorista para nos deixar sair ao passar pela Nave de Sto. António e seguir a pé até ao Covão pelo trilho da PR6 – Rota do Glaciar. Vejam aqui a tabela de horários dos autocarros da Covilhã. Para quem for de carro existe estacionamento junto ao Covão d’Ametade.
Onde dormir
Em Manteigas ou nas Penhas da Saúde não faltam opções de alojamento, desde hotéis a alojamentos locais.
Onde comer
Também em Manteigas ou nas Penhas da Saúde terás uma boa diversidade de opções. Manteigas tem crescido bastante em termos turísticos nos últimos anos e é sempre uma boa aposta.
Meteorologia local
Para além das previsões oficiais do IPMA, existem vários projectos locais de meteorologistas amadores, mas que têm um conhecimento do território que lhes permite ser muitas vezes mais assertivos. Destaco as previsões do Vitor Baia e o projecto MeteoEstrela.
Água
Leva sempre 1,5 a 2 litros de água, no mínimo
A ribeira da Candeeira tem água durante todo o ano, ainda que no Verão possa não estar a correr. Apesar de não existirem aqui fontes de poluição, podem existir contaminações superficiais (dejectos de animais, por exemplo) pelo que não deve ser bebida directamente. Nas lagoas a água também poderá ser tratada e bebida, mas é sempre preferível optar por água corrente.
Usa sempre filtros próprios para actividades outdoor ou pastilhas desinfetantes
Rede de telecomunicações
Em boa parte da rota não existe rede móvel. Em caso de emergência:
Caminha em direção à estrada mais próxima
Procura um ponto elevado para tentar sinal e ligar para o 112
Contacto de emergência em montanha
Além dos serviços normais de emergência (112), existe na serra uma equipa especializada da GNR UEPS – Unidade de Emergência de Proteção e Socorro, preparada para operações de busca e salvamento em montanha.
Outros sites com informações do território:
Manteigas Trilhos Verdes | Aldeias de Montanha | Estrela Geopark | CISE
Vestuário e Equipamento
Dicas para Caminhar na Serra da Estrela
Apesar da altitude relativamente modesta da Serra da Estrela, caminhar em ambiente de montanha implica riscos que não devem ser subestimados — sobretudo se vieres desprevenido. O segredo está em adaptar sempre o equipamento às condições da época e às previsões meteorológicas.
Mesmo no verão, nunca deixes o casaco impermeável (ou pelo menos um corta-vento) em casa. O tempo pode mudar subitamente, e o vento forte ou uma chuvada inesperada podem transformar uma caminhada tranquila numa situação desconfortável — ou mesmo perigosa.
No Inverno, o uso de botas de caminhada impermeáveis é essencial. Mesmo no Verão, continuam a ser recomendadas, especialmente se carregares uma mochila mais pesada. Em caso de neve, junta polainas ao conjunto — evitam a entrada de neve para dentro das botas e ajudam a manter os pés secos e quentes.
O uso de bastões de caminhada também é altamente recomendado. Embora possam atrapalhar em zonas de trepada mais técnica, guardam-se facilmente na mochila quando não são necessários — e em longas subidas ou descidas, fazem toda a diferença no conforto e equilíbrio.
Como te vestires: o sistema por camadas
Opta por vestuário leve, técnico e confortável, e utiliza o sistema de camadas:
1ª camada: roupa interior térmica e respirável;
2ª camada: camisola polar ou similar, para isolamento térmico;
3ª camada: casaco impermeável e corta-vento.
Evita peças volumosas e pesadas, bem como roupas de algodão (como calças de ganga), pois retêm humidade e demoram muito a secar. As fibras sintéticas ou a lã merino são as melhores opções para a montanha.
Mochila e orientação
Para transportar roupa extra, comida, água e o resto do equipamento essencial, deves usar uma mochila com bom suporte lombar e adequada ao tipo de atividade. No Verão, uma mochila de 20L pode ser suficiente; no Inverno, uma de 30L ou mais é aconselhável, para acomodar roupa e material extra.
Leva sempre contigo um mapa detalhado da região — como os mapas topográficos específicos para montanhismo — para melhor perceção do território. Em caso de falha do GPS, o mapa e uma bússola continuam a ser ferramentas valiosas.
Se usares o GPS no telemóvel para te orientares, leva um powerbank com boa capacidade. O modo GPS consome bastante bateria, e ficar sem energia no telemóvel pode significar perder a orientação e a capacidade de pedir ajuda, caso necessário. Quanto mais desconhecido o terreno ou adversas as condições (nevoeiro, neve, etc.), maior a importância de usares aparelhos separados para orientação e comunicação.
Itens essenciais que não podem faltar:
Roupa técnica adequada à estação;
Casaco impermeável ou corta-vento;
Botas de montanha;
Bastões de caminhada;
Mochila ajustada e confortável;
Mapa físico da região e/ou GPS;
Powerbank (bateria externa);
Água e comida suficiente;
Filtro portátil para atividades outdoor ou pastilhas desinfetantes para purificação de água;
Frontal ou lanterna com pilhas sobresselentes;
Pequeno estojo de primeiros socorros;
Saco para trazeres o teu lixo — e, se possível, algum mais que encontres.
Por fim, lembra-te sempre: a montanha merece o nosso respeito. Leva tudo o que trouxeres contigo de volta e, se possível, recolhe também o lixo que encontrares. Pequenos gestos fazem toda a diferença. #LeaveNoTrace
O Portugal Outdoor precisa de ti.
Este projeto é feito com dedicação e muitas horas no terreno, para que possas explorar Portugal com mais liberdade, segurança e inspiração.
Tudo o que encontras aqui é gratuito. Mas para continuar assim, preciso da tua ajuda.
Se já usaste um trilho, uma dica ou um ficheiro GPX daqui, considera apoiar com um donativo — nem que seja o valor de um café.
👉 Faz o teu donativo aqui e ajuda a manter o Portugal Outdoor vivo, livre e independente.
Obrigado por fazeres parte desta caminhada.
Envia-me o teu feedback
Se já conheces esta rota envia-me o teu feedback
Podes enviar e-mail para portugaloutdoor.pt@gmail.com ou mensagem pelas redes sociais
