Passadiços do Mondego

Passadiços do Mondego

tudo o que precisas saber para planear a tua visita aos Passadiços do Mondego

Logo no primeiro dia após a inauguração, na primeira manhã, fui conhecer os novos Passadiços do Mondego. Não porque estivesse impaciente para os ir conhecer, mas porque (por acaso) tinha ido passar uns dias ao Vale do Mondego e porque a meteorologia prometia algumas horas sem chuva naquela manhã.

Ainda antes da abertura oficial já tinha percorrido alguns troços dos passadiços (pois a obra foi-se arrastando por alguns anos), mas tinha bastante curiosidade em conhecer de ponta a ponta o resultado de um projecto que (para o bem e para o mal) terá tanto impacte no Vale do Mondego.

Por vários motivos, o Vale do Mondego é-me especial. Foi ali que há 20 e poucos anos iniciei a minha primeira travessia a pé da Serra da Estrela, foi ali que uns anos mais tarde fui conhecer a Maria João e é ali que mora boa parte da minha família-in-law. Motivos de sobra, portanto.

Também já tinha muitas vezes percorrido aquele troço do Mondego, pelos caminhos, pelas levadas e pelos trilhos que sempre existiram, mas que sempre foram ignorados como uma mais valia para o território. Estes passadiços vieram agora, sem dúvida, trazer uma nova dimensão e atratividade à visitação turística deste território, mas a seu tempo veremos se terá sido esta a forma certa de valorizar o território.

Na realidade, sempre imaginei a aldeia de Vila Soeiro (ou o Cabo do Mundo, como é localmente conhecida) como a porta de entrada perfeita para uma travessia da Serra da Estrela e sempre defendi que esta ligação, ao longo do rio ou fazendo a ligação directa a Videmonte pelo antigo trilho do T1 (actualmente intransitável), merecia que os antigos trilhos fossem reabilitados para poder permitir uma conexão pedestre condigna entre a Guarda e o resto da Serra da Estrela.

Com a criação destes passadiços, volta a haver uma ligação pedestre entre a Guarda e o resto da Serra, reabrindo-se a porta para a definitiva criação de uma verdadeira grande travessia pedestre da Serra da Estrela e, para mim, será esta a grande mais valia deste projecto. Esperemos que agora alguém tenha a visão de a aproveitar.

Passadiços do Mondego
Início dos passadiços desde Videmonte

o percurso

Os Passadiços do Mondego são a mais recente hype na loucura nacional dos passadiços. Com 12 km de extensão ao longo do rio Mondego (cerca de 7 km em passadiço e 5 km por caminhos já existentes), permitem uma nova ligação pedestre entre a barragem do Caldeirão e a aldeia de Videmonte, ali para os lados da Guarda. Em passo descontraído e com algumas paragens, contem com pelo menos 5 horas para fazer a totalidade do percurso.

Para ir percorrer os passadiços será necessário fazer uma reserva prévia através do site oficialNas várias entradas para os passadiços, existem pontos de informação onde é feito o controlo de entradas e, de acordo com as informações disponíveis, o custo será de 1€ por pessoa (durante as primeiras semanas após a inauguração a entrada foi gratuita).

O enquadramento aos passadiços tem inúmeros pontos de interesse natural, histórico e cultural: a imponente Garganta Fluvial do Caldeirão, a Cascata do Caldeirão, aldeias de montanha, “praias” fluviais semi-selvagens, os meandros do Mondego, as ruínas das antigas fábricas e engenhos da indústria da lã, as galerias ripícolas de freixos e amieirossoutos e castanheiros seculares ou a histórica central hidroelétrica do Pateiro (uma das mais antigas do país e que deu luz à Guarda a partir de 1 de Janeiro de 1899).

O percurso é linear e pode ser feito em ambos os sentidos, sendo que o desnível acumulado a superar será menor no sentido Videmonte – barragem do Caldeirão. Por ser um percurso linear, também implica encontrar uma solução de transfer ou fazer ida e volta a pé. Existem estacionamentos em ambos os pontos de entrada e, com o amadurecimento do projecto, poderão vir a existir futuramente boas soluções de transfer (autocarro, taxi), mas à data que fui fazer o percurso não tive conhecimento de qualquer oferta deste género no local.

Entre Videmonte e a barragem do Caldeirão, os troços de passadiço e de caminho existente vão-se sucedendo, permitindo percorrer apenas parte do percurso. O troço entre a ponte da Mizarela e a barragem do Caldeirão será provavelmente o mais visitado, pela imponência das escarpas do Caldeirão, por ser relativamente curto (apesar do elevado desnível a superar) e por ser o mais próximo da Guarda. No entanto, para mim, o troço mais interessante será o que liga a hidroeléctrica do Pateiro e o túnel que desvia as águas do Mondego para o Caldeirão, pela proximidade com que seguimos as águas do Mondego neste troço (outrora bastante inacessível) e pelas três pontes suspensas sobre o rio.

Ao contrário da generalidade dos passadiços existentes em Portugal, os Passadiços do Mondego têm um grau de exigência física relativamente elevado devido aos 12km de distância e ao elevado desnível acumulado. No sentido Videmonte – barragem do Caldeirão o desnível acumulado é um pouco menor, mas a subida final ao paredão da barragem é bastante acentuada e a puxar pelo cardio. Se a disponibilidade física não for o vosso forte, se calhar o melhor é optar por fazer apenas uma parte do percurso.

Passadiços do Mondego
Ponte suspensa nos Passadiços do Mondego

dicas úteis

  • como fazer reserva:

A marcação de reservas é feita previamente online através do site oficial dos Passadiços do Mondego e tem um custo de 1€ por pessoa. Basta escolher na agenda o dia pretendido, o número de pessoas do grupo, se queremos ir de manhã ou de tarde e fazer o pagamento online. Para cada dia existe um número máximo de pessoas de 3000 por cada período (manhã ou tarde).
 
  • como chegar:

Os Passadiços do Mondego situam-se nas proximidades da cidade da Guarda, numa zona rural e sem grandes opções de transporte público, pelo que o automóvel privado será por enquanto a opção mais fácil. Existem 3 pontos de entrada nos passadiços: barragem do Caldeirão, Vila Soeiro (intermédio) e Videmonte, existindo estacionamento disponível em cada um destes pontos.

  • como planear o transfer:

À data que fui percorrer os passadiços (logo ao primeiro dia após a inauguração) não tive conhecimento de quaisquer serviços de transfer organizado entre os vários pontos de entrada, mas acredito que essa oferta rapidamente irá surgir através de serviços de táxi ou similares. No entanto, para quem vem de carro, a minha recomendação será sempre tentar deixar o carro no final do percurso e fazer o transfer antes de começar a caminhar e evitar o risco de por algum motivo ficar apeado longe do carro. No site oficial dos passadiços encontram-se listados vários contactos telefónicos para os táxis da Guarda (271 105 005 – Central Digital Táxis; 271 221 863 – Guarda Taxis; 271 239 163 – Guarda-gare Taxis; 271 221 209 – Centro Coord. de Transportes Taxis)

  • grau de dificuldade:

Percorrer os Passadiços do Mondego na sua totalidade implica uma boa disponibilidade física, quer pelos 12 km de distância, quer pelo elevado desnível acumulado a ultrapassar por longas escadarias. No sentido Videmonte – barragem do Caldeirão, o desnível acumulado é relativamente menor (cerca de 240 m) e no sentido contrário é de cerca de 410 m, mas a ascensão final à barragem do Caldeirão tem um declive relativamente acentuado. No entanto, em termos de dificuldade técnica ou de riscos associados ao meio, o grau de dificuldade é reduzido a moderado.

Para visitar os passadiços com crianças ou pessoas com menor disponibilidade física, poderá ser recomendado fazer apenas parte do percurso, iniciando ou terminando na porta de entrada de Vila Soeiro.

  • época recomendada:

Os passadiços poderão ser visitados ao longo de todo o ano, mas poderá ser boa ideia evitar os dias quentes de Verão ou dias de Inverno mais rigoroso. Boa parte do percurso é bastante exposta aos elementos e não existem muitas escapatórias, sombras ou opções de abrigo em alguns dos troços de passadiço mais longos.

  • serviços de apoio existentes durante o percurso:

Ao longo dos passadiços a oferta de serviços de apoio é reduzida, resumindo-se à existência de WCs junto aos pontos de entrada e um WC intermédio (junto à ponte do Ribas). Junto à Ponte da Mizarela existe um bar onde poderão encontrar bebidas e (normalmente) qualquer coisa para petiscar. No site oficial dos passadiços é disponibilizado um contacto de apoio (967 466 964 – Vigilantes dos Passadiços), mas em caso de real emergência o contacto deverá ser sempre para o 112.
Fábricas de lanifícios dos Passadiços do Mondego
Nas ruínas de uma das muitas antigas fábricas de lanifícios
  • onde comer antes ou depois do percurso:

Na cidade da Guarda existem muitas opções, mas deixo aqui algumas sugestões que gosto particularmente: na Pensão Aliança podem ir conhecer no prato uma vaquinha Jarmelista, raça autóctone dos arredores da Guarda e que em muito poucos sítios podem provar; se gostam de bons vinhos e bons petiscos experimentem o Nobre Vinhos e Tal, mesmo por trás da Sé da Guarda; se a vossa opção for para uma refeição mais leve ou rápida, procurem pela Casa da Maria, na Praça Velha e bem no coração da cidade.

Se preferirem (e bem) ir conhecer as aldeias em torno dos passadiços, também existem óptimas opções para explorar a gastronomia beirã. Em Videmonte, a genuína aldeia de montanha onde começa uma das pontas do passadiço, a recomendação será para o Afonso’s Wine House & Restaurant, que apesar do nome em estrangeiro é um verdadeiro restaurante local. Na aldeia dos Trinta, procurem pelo Ponto de Encontro da Dona Mena para comer bem como se estivessem em casa. Junto à aldeia da Mizarela, venham provar a Lagarada da Cortelha da Burra. E se pela hora de almoço forem Mondego abaixo até ao Porto da Carne, espreitem qual é o prato do dia no menu da semana do Café das Bombas, mas convém ligar antes a marcar mesa (963 850 265), pois o tacho costuma ser pequeno para tantas encomendas. 

  • onde pernoitar no Vale do Mondego:

Para fugir à cidade, fiquem pelo menos uma noite pelo Vale do Mondego. Até agora longe dos roteiros turísticos, a oferta existente é relativamente reduzida mas bastante privilegiada pela magnífica envolvência do vale. Ao longo do vale existem vários turismos rurais, como a Quinta do Pinheiro, a Quinta do Quinto a Quinta do Moinho ou as Casas do Mondego, na aldeia do Porto da Carne. Mas se o vosso interesse for uma coisa completamente diferente, venham conhecer as propostas da Vinha da Manta para dormir (quase) sob as estrelas.

  • o que visitar nas proximidades:

No Vale do Mondego é impossível não falar em praias fluviais. Desde as praias do Porto da Carne e da Aldeia Viçosa até à mais remota e idílica praia da Quinta da Taberna, não faltam opções para um mergulho nas águas límpidas do Mondego sempre que o calor aperta. Mas para mim (e cada vez mais para muitos outros), era nas margens do Mondego a montante de Vila Soeiro que eu tinha até agora “a minha” praia. E digo “até agora”, pois o mais certo é que com os novos passadiços o sossego que aqui encontrava seja coisa do passado…

Ao longo do percurso dos Passadiços do Mondego encontram-se dezenas de antigas fábricas e engenhos da indústria dos lanifícios. Muitos deles encontram-se identificados pela sinalética dos passadiços e vale a pena ganhar uns minutos do vosso tempo a ler as descrições e imaginar como seria aquele vale noutros tempos, uma espécie de polo industrial embebido na natureza das margens do Mondego.

Boa parte das aldeias em torno dos passadiços mantem-se bastante genuína, quer na arquitectura das casas, quer no modo de vida das suas gentes. No entanto, se apenas tiverem tempo para visitar algumas, aproveitem para conhecer as aldeias de Videmonte, da Faia e Vila Soeiro, autênticas janelas para a Beira de outros tempos.

Junto ao ponto de entrada da barragem do Caldeirão, subam ao Miradouro do Mocho Real para uma panorâmica privilegiada sobre a Garganta Fluvial do Caldeirão, o Vale do Mondego e os passadiços que dali partem. O Miradouro do Mocho Real é um dos geossítios classificados pelo Estrela Geopark. E, já agora, aproveitem para pesquisar no site do Estrela Geopark pelos muitos outros geossítios classificados que existem nas redondezas e vão conhecer o fantástico património geológico da Serra da Estrela.

Na aldeia dos Meios, não deixem de ir visitar o Museu da Tecelagem, onde ainda hoje se fazem mantas de farrapos e cobertores de papa. O museu guarda ainda em funcionamento vários dos antigos teares e na visita poderão vê-los a trabalhar. Vale mesmo muito a pena a visita!

A meio do percurso dos passadiços, um pouco a montante do ponto de entrada de Vila Soeiro, encontra-se a histórica Hidroeléctrica do Pateiro ou “Fábrica da Luz”, como era conhecida na altura. Esta hidroeléctrica foi uma das primeiras do país e, a partir de 1 de Janeiro de 1899, tornou a Guarda numa das primeiras cidades portuguesas a ter iluminação pública eléctricaMais de 100 anos depois, a hidroeléctrica ainda continua em funcionamento e por isso a visita ao edifício encontra-se condicionada. A electricidade era (e ainda é) produzida pela força das águas desviadas do seu curso natural numa represa a montante e conduzidas por uma levada até à câmara de carga, onde entra nas condutas acima da central. Os passadiços passam junto à represa e acompanham a antiga levada durante todo o seu curso.

Sobranceiro ao Vale do Mondego encontra-se o Castro do Tintinolho, uma antiga fortificação da Idade do Ferro. Da antiga fortificação pouco resta, mas a panorâmica sobre o Vale do Mondego é soberba e vale bem a visita. O acesso é feito por uma estreita estrada de asfalto desde a cidade da Guarda (junto ao Instituto Politécnico) ou desde a aldeia do Cubo. Junto ao Castro do Tintinolho passa também a calçada romana que permitia o acesso ao Vale do Mondego e que ainda se encontra bastante bem conservada.

E para quem gosta de baloiços, aproveitem a vinda aos Passadiços do Mondego para ir tirar a foto de instagram aos Baloiços da Rapa. Estes baloiços localizam-se praticamente em frente ao Castro do Tintinolho, mas do lado oposto do Vale do Mondego, e têm acesso desde Videmonte pelo caminho do parque eólico. Um dos baloiços tem vista para a cidade da Guarda e sobre o Vale do Mondego e o outro tem vista para Celorico da Beira.

Ponte suspensa sobre o Mondego

equipamento recomendado e planeamento:

Apesar dos Passadiços do Mondego não serem um percurso de montanha tecnicamente exigente ou num ambiente de elevado risco, existem sempre alguns cuidados básicos na escolha do nosso equipamento, quer para nosso conforto, quer para prevenir situações de risco desnecessárias. 

O ambiente onde estes passadiços se inserem, apesar da altitude relativamente modesta, já é de montanha e por aqui a condições meteorológicas são frequentemente mais extremas do que a maioria das pessoas está habituada. No Verão a exposição ao sol é mais intensa que a baixa altitude e, no Inverno, as temperaturas baixas são por vezes mesmo muito baixas, para além de muitas vezes agravadas pelo vento ou pela chuva. Mas atenção, isto não é de maneira nenhuma para vos assustar, apenas para que venham realmente prevenidos.

Antes de mais, quando estiverem a planear vir visitar os Passadiços do Mondego, sigam a evolução da previsão meteorológica durante os dias anteriores. Previsões a mais de 3 dias são muitas vezes pouco realistas e as coisas podem mudar à última hora, por isso não se esqueçam de confirmar a meteorologia prevista no dia anterior à vossa vinda.

Hoje em dia (quase) toda a gente anda sempre com o telemóvel, mas não se esqueçam de o trazer com bateria devidamente carregada. Existe rede em grande parte do percurso e, em caso de emergência, o contacto deverá ser ser sempre para o 112. Para outras situações menos urgentes, no site oficial dos passadiços encontra-se disponibilizado um número de contacto de apoio (967 466 964 – Vigilantes dos Passadiços).

Conforme a época do ano (e a previsão meteorológica) venham preparados com calçado prático e confortável. Sapatilhas desportivas ou botas de caminhada são bem-vindas e evitem calçado com sola pouco aderente ou que possa magoar os pés ao fim de tantos kms de caminhada. 

No Inverno evitem trazer casacos demasiado pesados ou volumosos, pois durante a caminhada é quase certo que terão calor e depois não têm sítio onde os guardar. O melhor será usar roupa em várias camadas, para vestir ou despir conforme necessário. E, mesmo quando a previsão não for de chuva, nunca é demais trazer (pelo menos na mochila) um casaco impermeável ou corta-vento. Luvas e gorro são praticamente essenciais durante o Inverno.

No Verão tragam roupas leves e frescas, mas não se esqueçam de trazer sempre uma camisola a mais na mochila, pois mesmo no Verão as manhãs ou finais de tarde podem ser demasiado frescas. Chapéu e protector solar são obrigatórios para fazer face à elevada exposição solar nalguns troços bastante longos dos passadiços.

Apoia este projecto

Ao fazer compras online no site da Decathlon (através dos links que partilho) estás a contribuir para a sustentabilidade do projecto Portugal Outdoor. Basta seguir o link e fazer a tua compra, tal como fazes sempre. Obrigado pelo teu apoio!

Segue o link e vê quais os meus equipamentos outdoor preferidos no site da Decathlon.

Em passo descontraído e com algumas paragens, contem com pelo menos 5 horas de duração para fazer a totalidade do percurso. Tenham em conta esta duração média para planear a vossa hora de início da caminhada, com particular atenção ao período de Inverno em que escurece bastante cedo.

Seja Verão ou Inverno, tragam sempre água suficiente. Entre Videmonte e Vila Soeiro terão bastantes kms pela frente e não existem estruturas de apoio. No Inverno (dependendo de cada um) 0.5L poderão ser quanto baste, mas no Verão apontem para mais de 1 litro por pessoa.

Tendo em conta a duração estimada de 5 horas para fazer o percurso, será recomendado levar merenda ou pelo menos algo para petiscar durante a caminhada. Ao longo do trajecto apenas existe o bar junto à ponte da Mizarela, mas que poderá encontrar-se fechado ou nesse dia não ter nada que comer. E, obviamente, não se esqueçam de levar um saco para trazer todo o vosso lixo (a humanidade agradece).

E para trazer tudo o que necessitam para a caminhada, entre água, merenda e poder guardar o casaco quando começarem a aquecer, tragam uma mochila confortável e que não seja demasiado pequena. Dependendo de ser Verão ou Inverno, o ideal será uma mochila de 15 a 25 litros de capacidade.
 

O percurso dos passadiços não tem muito que enganar, mas para quem (como eu) gosta sempre de saber exactamente por onde anda, é só descarregar o track GPS (em formato .gpx ou .kmz) e meter no telemóvel. Se ainda não estiverem a usar nenhuma app de navegação GPS, recomendo o GPX Viewer, que para mim é a melhor e mais intuitiva aplicação do género. Para além do track, assinalei no ficheiro todos os pontos de interesse e de apoio que considerei relevantes.

 

  • outras informações:

Em grande parte do percurso dos Passadiços do Mondego existe rede de telemóvel, mas nalguns pontos não existe cobertura. Em caso de emergência, deverá bastar uma curta deslocação em qualquer um dos sentidos até voltar a ter ligação à rede.

Para além da cidade da Guarda, nas proximidades dos Passadiços do Mondego, apenas existem postos de combustível na aldeia dos Trinta e no Porto da Carne.

Passadiços do Mondego
Escadaria dos Passadiços do Mondego junto à Garganta Fluvial do Caldeirão

insights

Os passadiços são um tema fracturante. Há quem adore e quem deteste.

Eu, na minha tentativa de sensatez, creio que deveriam ter sido construídos de outra forma. Mais integrada na paisagem, com mais veredas naturais e menos entabuados artificiais, com menos custos de implementação e de manutenção, mas não sou (nem nunca fui) contra a sua criação.

Há quem deseje que isto corra mal só para provar o seu ponto de vista. Quem deseje que ardam num próximo incêndio rural. Quem deseje que o município não os saiba manter. Quem deseje que as pessoas façam tanto lixo que seja um escândalo nas redes sociais. Quem deseje que seja um problema tal que o ICNF os mande encerrar. E que estes passadiços nunca deveriam ter sido construídos.

Mas foram.

E o meu desejo é que corram bem. Que sejam um sucesso. Que sejam um exemplo de que o público menos instruído nisto de andar na natureza também pode evoluir. Que estes passadiços sejam um gateway para que mais gente queira ir conhecer a natureza para além dos passadiços. Que estes passadiços integrem de forma harmoniosa uma futura grande rota da Serra da Estrela. Que estes passadiços metam a Guarda no mapa. Que estes passadiços tragam valor para o Vale do Mondego. Que estes passadiços sejam uma alavanca para o desenvolvimento sustentável do interior. 

E este artigo é o meu contributo para isso.

 

aspectos a melhorar nos Passadiços do Mondego

O projecto dos passadiços é de implementação bastante recente e acredito que as arestas que ficaram por limar sejam ainda alvo da melhor atenção por parte do Município da Guarda.

Para prevenção de incêndios rurais e para proteger a própria estrutura foi feita uma desmatação em torno dos passadiços, mas foi tido o cuidado de deixar (pelo menos) algumas árvores nessa faixa de contenção. De modo a reduzir essa ferida aberta na paisagem e a melhorar a experiência do visitante, espero que se acarinhe a regeneração natural das espécies arbóreas (as autóctones, claro) e se reforce a densidade arbórea através de plantação. Para além de uma melhor integração dos passadiços na paisagem, o ensombramento pelas árvores irá reduzir a taxa de crescimento dos matos, reduzindo deste modo o risco de incêndio florestal e os custos de manutenção.

Alguns troços de caminho natural, em virtude do declive elevado e da falta de drenagens apropriadas, já se encontram bastante erodidos pela água que drena pelo próprio caminho. A situação não é complicada de resolver e evitará problemas futuros na manutenção dos passadiços.

Fazem falta zonas de abrigo nos troços mais expostos aos elementos. Alguns troços são demasiado longos e desabrigados, o que durante o Verão ou durante o Inverno poderá criar situações de risco para visitantes mais sensíveis ou menos preparados. Estas situações poderiam ter sido pensadas em fase de projecto, mas se não o foram poderão ser facilmente implementadas agora, com a criação de zonas de descanso protegidas. Uns banquinhos, três paredes e um tecto a cada 2 ou 3 kms evitariam muitas situações de risco desnecessárias.

Faz falta a implementação de um serviço de transporte colectivo regular desde a Estação de Comboio da Guarda (com passagem pela Central de Camionagem) e que garantisse o transfer entre os vários pontos de entrada dos passadiços. Provavelmente esta situação já terá sido equacionada, mas pela sua (cada maior) relevância deixo aqui a minha sugestão.

E por último, um reparo à capacidade de carga que se encontra definida na reserva de bilhetes pelo site: 3 mil pessoas de manhã e 3 mil pessoas à tarde?? 6 mil pessoas por dia? Sou eu que não estou a ver bem a coisa ou este valor é um perfeito disparate? No limite, teríamos 6 mil pessoas em simultâneo nos passadiços lá pela hora de almoço, o que feitas as contas seriam 500 pessoas por km ou seja, 1 pessoa a cada 2 metros. Bem, pelo menos ainda dá para manter o distanciamento social. Pela sustentabilidade do Vale do Mondego e dos próprios passadiços, espero que esta situação seja brevemente corrigida.

faz o download do percurso

ficheiro .GPX

ficheiro .KMZ

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